sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

KHAOS REPORT #015 (Interlúdio --> PBEM)

Paella, muito desconfiado – e porque não, frustrado por ter sido pego desprevenido – aumenta o tom de voz, procurando assim acordar seus companheiros:


“Aproxime-se mais da luz da fogueira estranho! Nós somos aventureiros e em breve vamos partir” – ele teve o pensamento rápido e não mencionou a missão em nome do Rei Ilíadas – “Se realmente vem em paz, fique a vontade e aproveite o fogo que ainda resta. Este grupo não fará qualquer mal a quem vem em paz!"

O Lâmina Prateada, agora com todos os seus instintos à flor da pele para defender-se de qualquer ataque, fica atento aos movimentos do homem e se apresenta.

"Eu sou Paella! Qual o seu nome? O que fazes sozinho neste local tão perigoso e a essa hora da noite?" – Paella está desconfiado de que aquele homem não esteja sozinho.

Antes que o estranho pudesse se apresentar formalmente, os demais despertam de seus sonos. Mâsh e Northolt prontamente põe-se em posição de defesa, com armas em punho. Não falam nada, apenas observam a cena.
Horven, cansado, apenas funga e resmunga algo ininteligível e vira-se novamente para continuar dormindo, sem perceber o que se passa ao seu redor.
Gilkan desperta com a mente envolta em sonhos, senta-se tentando entender o que acontecia no acampamento. A fadiga dos últimos dias de viagem em que pouco se dormiram, tornava difícil para o bruxo ter um reflexo mais apurado.

“O que houve? Quem é este forasteiro?”

O homem tira seu chapéu em um movimento sincronizado com sua reverência no momento em que se apresenta com movimentos graciosos de malabarismos e trejeitos circenses.

“Senhores! É com imenso prazer... para vocês, logicamente, que conhecem Marco Volo! Historiador, arqueólogo, mestre em heráldica, arcanismo e filosofia. Viajante, explorador de antigas ruínas lendárias. Museólogo e colecionador de artefatos e relíquias que fariam inveja para qualquer príncipe, Rei ou Rainha. Bardo, mestre na poesia e na música que encantam nobres multidões em toda Auriis. Ao dispor de Vossas senhorias!”

O longo monólogo introdutivo é encerrado com um último movimento sincronizado, devolvendo o chapéu à cabeça de Volo, quando ele novamente encontra-se em pé, ereto, com um sorriso branco que se destaca na barba negra que cobre boa parte de seu rosto.
Mâsh não fica muito impressionado com aquela demonstração de agilidade e malabarismo. Principalmente, por ter sido interrompido seu sono.
Demonstra, no tom de voz, certa irritação quando dirige-se a Volo:

“Homenzinho! Para com as palavras bunitas e diz logo que ‘cê qué?”

Volo não tem tempo para responder ao bárbaro, pois Gilkan, já bem mais atento e acordado, lembra-se:

“Sim, claro! O velho Rasshak já falou sobre ele, pessoal! Marco Volo é conhecido dos Dragões Prateados de Zanthar. Dizem que é um grande historiador e que sabe muito das histórias e intrigas que correm pelos reinos.” – brada Gilkan.

“Oh! Oh! Então minha fama me precede, senhores! Lisonjeado com suas palavras, ó Ser demoníaco... sem ofensas!” – fala o bardo com uma reverência para Gilkan.

O Tiefling ficou desconcertado com aquelas palavras proferidas por Volo. Pensou ter sentido um toque de sarcasmo e discriminação. Mas não teve tempo de retrucar, pois a avalanche de eventos era ininterrupta, como todos querendo, mesmo que tumultuada e atabalhoadamente, falar com o estranho.

“Pelo que posso ver, meu caro bardo, você é um viajante contumaz e deve estar repleto de histórias para contar. Chegue perto da fogueira e nos conte uma história de suas viagens e, quem sabe, do desenrolar da Guerra que escraviza os povos de Auriis?” – Northolt, já com sua espada embainhada novamente, aproxima-se e toma lugar ao redor da fogueira.

Paella, ainda desconfiado, permanece mais afastado e com os sentidos aguçados, tentando antecipar qualquer tentativa de uma emboscada.
Volo saca de seus bandolim, que estava preso às suas costas e se senta, sem cerimônia, ao redor da fogueira.

“Obrigado, nobres anfitriões! É com prazer que lhes contarei uma história, nova ou velha, feliz ou triste. Mas um ditado do reino de Malii é muito sábio em seus dizeres: “a barriga vazia e a garganta seca, são o deserto da sabedoria e das tradições orais dos antepassados”!

E abre um sorriso, com um olhar malicioso, tentando perceber se aquelas mentes haviam captado a sua intenção antes de iniciar qualquer declamação ou diálogo mais prolongado.
Tendo certeza de que o bardo está sozinho e de que não há perigo de uma emboscada, Paella relaxa um pouco e pega uma mochila que encheu com comida e bebida no posto avançado dos Garras Vermelhas:


“Pegue Volo! Coma e beba. Recarregue suas energias para poder nos contar suas histórias” – o Eladrin entrega ao bardo um cantil com vinho e pedaços de presunto defumado, frutas e pão.

Volo pega os alimentos com alegria.

“Ah, senhores, quanta gentileza! Uhnmm... parece muito apetitosa esta comida!” – ele cheira o presunto defumado e estala a boca em satisfação. “Então, aventureiros, eu já me apresentei mas ainda, tirando um ou outro, não conheço-os!” – ele dá uma mordida no presunto e aguarda a apresentação dos heróis.”

GIlkan, muito empolgado com a presença de um bardo tão famoso, levanta-se rapidamente e apresenta-se:


“Sou Gilkan Krafters. Filho de Stefany Forun e Ghildan Krafters. Cidadãos de Zanthar, a Fortaleza. Sou pupilo de Rasshak Slazz, Chanceler Paladino dos Dragões Prateados!”

Volo faz um leve aceno com a cabeça e um sorriso no rosto barbado, indicando que a apresentação foi suficiente.
O próximo a se apresentar foi o Eladrin, que mexia no fogo.

“Sou Paella, filho de Wullgor e Helenna. Vim da Floresta da Lua. Doutrinado pelos Lâminas Prateadas de Alhanna, devoto de Corellon. Vou por fim nos líderes das criaturas bestiais que invadiram minha cidade e trouxeram o caos ao equilíbrio na vida dos Eladrins.”

Volo, que acabara de dar um belo gole no odre de vinho, enxuga a boca com a manga de sua túnica enquanto balança o odre à sua frente em cumprimento ao jovem Paella.

“Bel... belas palavras meu jovem! Sim, MORTE AOS INFIÉIS! HAHAHAH! Adoro falar isso! Engraçado não acham?” – o bardo gargalha sozinho, já que os demais não chegaram a entender o motivo daquelas palavras.

O bárbaro, vendo que o círculo de apresentações continuava com ele, levantou-se empunhando seu machado e em posição de combate diz:

“Mâsh do Clã dos Corvos Seculares...”

O bárbaro olha para os ouvintes, que o observam curiosos, como se esperassem o complemento daquela frase. Mas ele sente que não precisa falar mais nada, já sabem seu nome e de seu clã. É o suficiente.
Northolt e Horven apresentam-se também e então Volo, mastigando ainda um pedaço de pão, pergunta:

“Então, Vós, que compartilhas o calor desta fogueira e o sabor desses alimentos com este humilde viajante, tem algum interesse específico na milenar história de Auriis ou de Iggspur? Há tanto a ser contado, que não há como eu poder escolher por mim mesmo.”

E assim aguarda que indiquem sobre o que querem ouvir.

“O senhor conhece o Chanceler Rasshak, dos Dragões Prateados de Zanthar?” – pergunta Gilkan, com saudades de seu mentor e pensando que talvez o bardo tenha notícias mais recentes sobre Zanthar e seu amigo, pois há mais de 5 meses não sabe sobre ele.

“Ah sim, jovem Tiefling, conheço sim o velho Rasshak. Um grande homem, pode-se dizer! Mas há alguns anos não tenho tido a oportunidade de compartilhar com ele momentos de descontração, fumando aquele cachimbo com ele no banco de sua casa que dá para ver boa parte da cidade de Zanthar.” – Volo responde.

Gilkan sente o coração apertado, pois suas lembranças ainda são bem recentes destes momentos em que no final da tarde ele reunia-se com Rasshak nesse velho banco e conversavam sobre os acontecimentos diários e os aprendizados do iniciante nas artes de feitiçaria. O jovem bruxo quase podia sentir o aroma das flores que espalhavam-se pelo jardim da bela residência do Chanceler. E também o cheiro inconfundível do fumo utilizado pelo draconiano, vindo diretamente dos reinos Draconianos. Eram momentos muito tranqüilos e que serviam para recarregar a energia física e mental.
Mas são tempos que ficaram para trás e o presente parece muito mais sombrio longe de casa e em uma viagem por caminhos infestados de inimigos.
Vendo que seu amigo não questionaria mais nada, Paella está curioso por informações sobre os inimigos que enfrentaram nas cavernas no dia anterior.

“Bardo, o que você sabe sobe os Garras Vermelhas? Nós tivemos alguns problemas com alguns deles no dia anterior!”

Volo faz uma careta como se buscasse as lembranças no fundo de sua mente e, depois de tomar um gole de vinho para fazer o pão e o queijo descerem garganta abaixo, fala:

“Bem, há cerca de 50 anos atrás, existia uma grande horda de Hobgoblins, Orcs e Goblins que assolava a região Norte de Iggspur e sul de Korzus. Eles chamavam-se As Garras Vermelhas da Destruição, ou do Destino, como diziam em Brindol. À época, os governantes dos dois reinos não tinham coragem, ou não queriam agir sozinhos, para enfrentar esta grande horda. Até que os Garras atacaram a cidade de Brindol com grande número de suas forças. Foi uma batalha épica. Os defensores da cidade resistiram ao sítio por mais de 15 dias. Mas tudo estaria perdido ao final da terceira semana se não houvesse a ajuda dos exércitos de Iggspur. Mas resumindo, no final os Garras foram expulsos e perderam seus principais comandantes, o que fez com que os clãs que formavam a grande horda se dissipassem na região. Os anos se passaram e então novamente se ouve falar na horda. Parece que o Hobgoblin de nome Sinruth se auto intitulou como comandante dos Garras Vermelhas, reunindo novamente membros para esta horda. Mas, para mim, sinceramente, esses atuais “garras” são uma pequena sombra da poderosa força militar que devastou a região como uma foice. Atualmente são um bando de goblinóides que ataca povoados desguarnecidos, aproveitando-se da grande guerra organizada e empreendida pelos Drows e Illithids. Quando as tropas de Sinruth vêem-se frente a frente com destacamentos militares de Korzus ou de Iggspur, eles fogem com o rabo entre as pernas e choramingando.” – ele toma mais um gole de vinho e continua. “Mas, aqui dou uma informação exclusiva para vocês. Embora estejam muito aquém do poder que já tiveram, parece que esse Sinruth tem, digamos, estrela! Seu carisma e determinação, dizem os rumores que ouvi, chamaram a atenção dos antigos membros dos antigos Garras Vermelhas da Destruição, e estão novamente se organizando para tentarem restabelecer o antigo poder que tinham. Além disso, Sinruth tem conseguido aliar-se com outros seres mais perigosos e que pode causar problemas num futuro próximo. Logo agora, que Korzus está conseguindo virar a mesa na Guerra contra as hordas dos Drows.”

Todos ficam em silêncio após as palavras do bardo, refletindo sobre aquelas novidades que não esperavam serem tão sérias.
Mas Paella ainda quer mais informações não demora muito para novos questionamentos, espreguiçando-se quando os primeiros raios de sol iluminam os topos brancos de neve das montanhas a oeste.

“Sr. Volo, com todo seu conhecimento, talvez já tenha ouvido falar sobre Morgoth, Xanaro´th e Loraxxsa, não é? Poderias me contar algo sobre eles?”

“Ah meu jovem, para que saber sobre eles? É melhor que não saiba! Tudo que souberes sobre eles, trará apenas dor, sofrimento e desesperança ao seu jovem coração iluminado pelas belezas da Cidade Brilhante dos Eladrins!” – fala Volo, tentando desviar do assunto.

Mas Paella não quer saber de rodeios ou desvios, e insiste.

“Por favor, senhor Volo, eu quero saber! Meses atrás esses nomes foram ditos por criaturas vis que atacaram a Cidade Brilhante, na Floresta da Lua. Vou perseguir esses infiéis e exorcizar o mal que existe na crença deles!”

“Calma lá, jovem senhorio! A vingança não é algo saudável para o seu ser! Ela é dolorosa e corrompe a pureza e a bondade dos seres, meu amigo. Não pense em vingança, por favor! Mas já que queres saber, darei apenas algumas informações. A bruxa Loraxxsa é, talvez, a mais poderosa matriarca dos Drows. Sua casa atualmente rege a cidade de Mezoberranzan e outras cidades dos elfos negros. Além disso, tem como guarda pessoal cerca de 10 lacaios demoníacos que lhe servem cegamente, todos sob o julgo do poder arcano da velha bruxa. Acredit, Eladrin, você não quer ficar frente a frente com esta mulher! Sobre Xanaro´th, posso lhe dizer que é um poderoso Beholder Morto-Vivo. Se você sabe o que é um Beholder, já o temeria só por isso. Mas ele tornou-se pior após sua morte e ter sido trazido à vida. Vejam, companheiros, não digo aqui que ele seja um mero zumbi! Ele foi trazido à vida por Loraxxsa! Ou seja, ele deve ter grande poder nessa sua morte-vida, é o que eu penso! Ele pode não estar nas Cordilheiras do Trovão, seu antigo lar, mas com certeza seu covil ainda existe e deve estar mais protegido que outrora. Já o tal Morgoth, há o velho Morgoth! O anão aqui – ele dá um cutucão com o cotovelo em Horven que está sentado ao seu lado – sabe que não se deve mexer com aquele cabeça-de-polvo! Bem, quem tem juízo, pelo menos, sabe disso! Digamos que, para os cabeças-de-polvo, Morgoth é a versão masculina de Loraxxsa. Logicamente que ele não é tão poderosos quanto aquela Matriarca, mas ele é o grande líder dos Ilithids e principal responsável pela aliança entre eles e os Drows. Bom, os anos são espertos em temerem Morgoth, e vocês, crianças, deveriam fazer o mesmo!” – ele conclui com um sorriso sincero na face.

“UAAAHHHHH... puxa, já tá tarde! HEHEHEHE! Acho que vou tirar uma soneca e partirei assim que for meio-dia. Se me derem licença...” – Volo prepara um canto para dormir e não espera autorização dos seus anfitriões.

Mâsh, ancioso, ainda tem algo a perguntar ao visitante e aproxima-se dele quando já deitado, e pergunta meio sem jeito:

“Cê sabe o que os orcs fazem com quem eles pegam? Fazem de escravo? Pra onde eles levam? Um jovem Goliath foi pego e estou em busca dele...”

Volo cobrindo-se com um pequeno cobertor, lança um olhar de pesar ao jovem interpelante:

“Olha meu rapaz, os Orcs são criaturas horríveis e podem dar variados destinos àqueles que são capturados. Podem fazê-los de refeição. De sacrifício aos seus deuses cruéis. De escravos para suas minas. De moeda de troca com outras criaturas tão cruéis quanto eles. Então, não quero tirar suas esperanças, talvez você não encontre esse jovem que você busca”. Vendo o terror estampado nos olhos de Mâsh após suas palavras, Volo diz.

“Veja, meu jovem, não sou de ficar dando esperanças para ninguém mas, veja, MAS... TALVEZ, se os orcs estiverem realmente precisado, talvez tenham-no levado para as Minas de Cirith Hill. Ela fica na fronteira norte de Korzus, nas bordas da Muralha de Gelo. Uma região inóspita, habitada por todo tipo de monstros. Se ele estiver vivo, e de posse dos orcs, talvez você o encontre lá. Mas ouça bem minhas palavras Goliath, e desculpe minha sinceridade, se você continuar essa busca, precisará de amigos poderosos e de muita sorte, pois aquela é considerada, por muitos exploradores, como a região mais perigosa de Auriis. E não digo só pelos monstros que lá habitam! Bem, se me der licença preciso descansar, pois tenho muita estrada pela frente.”

Mâsh fica arrasado com aquelas informações, mas seu coração ainda clama pela busca e ele não desistirá tão fácil. Ele encontrará uma forma de chegar lá e de descobrir se o jovem que busca ainda está vivo.
Os heróis percebem que a manhã chegou e que talvez seja hora de partir. Ainda há milhas a percorrer até chegarem a Brindol.

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