Gilkan ficou encarregado de amarrar o goblin que foi feito prisioneiro após o combate. De longe, Herewald observa, pronto para matar o pequeno monstro caso o bruxo tenha algum problema. Enquanto isso, Northolt e os demais vasculham o local em busca de mais pistas sobre os exércitos que utilizam esse posto avançado.
O bruxo, quando termina de amarrar o prisioneiro e verificar os nós feitos, reflete sobre tudo que está acontecendo em sua vida. O turbilhão pelo qual está passando nesses primeiros dias envolvido nessa Guerra.
Ele fica incomodado, principalmente, por sua sede de matar e destruir todos os kobolds e goblins que se jogaram na correnteza do rio subterrâneo tentando fugir. Provavelmente eles morreram afogados, mas mesmo assim Gilkan estava confuso e com medo das intenções maléficas que emergiram de seu íntimo. Será que aquela “sede” foi apenas um momento ou será que é sua natureza mesmo? Será que está se transformando naquele monstro de seu pesadelo?
Isto o faz pensar naquele fatídico dia, ocorrido pouco mais de 4 meses antes. E também lembra com saudades de seu mentor. O que será que estará fazendo o velho Rasshak? Zanthar ainda resiste? E seu pai, será que ainda vive?
O tiefling é afastado dessas lembranças tristes quando Herewald aproxima-se:
“Tudo bem por aí Gilkan? Se tiver com problema, posso cortar os tendões dos braços do Goblin para não dar mais problema...” – diverte-se o ladino já com suas adagas nas mãos.
“Não precisa não Herewald! Está tudo bem aqui, não está?” – pergunta Gilkan ao goblin amedrontado.
“Sim! Sim...”
O ladino se afasta e Gilkan conversa com o goblin.
“Você não irá criar problemas, irá, Goblin?”
“Não... não... só não me machuquem mais, por favor!”
“Assim como minha raça, vocês goblins são considerados párias para os humanos, elfos, anões! Eu sinto na pele a discriminação que você sente. Então, se você ficar quieto e não tentar nenhuma besteira, eu garanto que nenhum dos meus amigos te machucará! Mas... – o tiefling retira seu capuz e deixa seus olhos demoníacos inflamarem-se de um vermelho sangue e suas feições tornando-se ameaçadoras – se você fizer qualquer bobagem, ou tentar fugir, eu juro que irei até os 9 infernos atrás de você ou de sua alma!!!”
O goblins fica de olhos esbugalhados, amedrontado demais para responder e apenas acena com a cabeça em concordância.O bruxo recoloca seu capuz e volta a falar normalmente.
“Quando sairmos dessas cavernas, você será solto e poderá fazer o que quiser! Mas até lá, seja um bom menino!”
Depois disso, deixa o prisioneiro amedrontado próximo a depósito de armas e suprimentos e se junta aos demais, que já estão derramando óleo sobre as construções de madeira e quebrando os ancoradouros para torná-los inúteis.
“Convenceu o goblin a nos ajudar?” – pergunta Paella quando Gilkan se aproxima.
“Acho que sim. Pelo menos senti que ele está amedrontado! Disse a ele que se ele não arrumar problemas, nós o soltaremos quando sairmos das cavernas.”
“Você o que?” – pergunta o Eladrin incrédulo. “Você vai soltá-lo e deixar que ele avise os comparsas dele? Será que os outros irão deixar que você faça isso?”
“Não sei, Paella! Só espero que todos compreendam que nós não somos como inimigos que enfretamos. Nós não somos monstros! Nós lutamos pela liberdade e pelo bem de Iggspur!”
“Sim... o bem pode ser exterminar essas criaturas de uma vez! Mas enfim, talvez esse seja o caminho que devemos tomar mesmo! Talvez você tenha razão. Vou pensar nisso e te apoiarei quando chegar o momento.”
Os dois assentem que, naquele momento, o assunto está encerrado. Paella vai então até alguns barris próximos ao grande paiol de armas e encontra água e cerveja. Em caixas, há carne seca, couro curtido e muita lenha para a fornalha da forjaria. Quase escondido sob peles de ursos, encontra um caixote de madeira, com a fechadura aberta e com alguns papéis queimados dentro. Os documentos parecem mapas militares contendo informações importantes, mas o estado de destruição deles torna-os praticamente inúteis.
O Lâmina prateada também encontra vários estandartes e bandeiras pintados com garras vermelhas. Ao que parece, esse clã tem certa importância nessa região.
Enquanto isso, Gilkan apenas observa as buscas. Ainda pensando em todo o ocorrido. Refletindo suas ações ante os perigos que encontraram.
Sua atenção é desviada apenas quando percebe que Paella teleporta-se para o telhado do paiol. Ele fica de vigia, mas está nas mãos com um frasco de óleo que pretende jogar sobre o paiol para incendiá-lo.
Mâsh, após destruir um dos atracadouros com potentes golpes de seu machado, resolve ir conversar com o goblin que fizeram prisioneiro.
A critaura está encolhida, encostada numa das paredes da forjaria e fica murmurando em sua língua primitiva, como se estivesse conversando com outra criatura.
Quando o bárbaro se aproxima, ele se encolhe um pouco mais e fica apreensivo.
“Olha aqui goblin! ´Cê pode me dá umas informações por bem ou por mal! Então eu vou perguntar e ´cê vai escolher a forma que quer, ta bom?”
O goblin fica quieto, apavorado quando o bárbaro empunha o machado mais próximo a ele.
“Uma criança do meu clã foi capturada por orcs tempos atrás! ´Cê sabe de alguma coisa?”
“Não... não... não sei nada!”
“Ora goblin...” – Mâsh acerta a canela do goblin com a acha do machado. A criatura grita de dor e e volta a choramingar. “Então, por bem ou por mal? Responde logo... sabe de alguma coisa?”
“Sim... sim... os orcs levam os prisioneiros para o norte. Crianças são os principais alvos deles.”
“Pra onde no norte?”
“Eu... eu...” – o goblin exita, mas quando Mâsh ameaça acertá-lo novamente, decide falar. “Há uma mina no norte deste reino. Os escravos são levados pra lá!”
“´Cê tá falando a verdade criatura? Se não tiver, vou te escalpelar vivo!!!”
“é verdade senhor! É verdade!” – desespera-se o goblin.
Mâsh observa a criatura por mais alguns segundos até se dar por satisfeito.
Se for verdade o que o prisioneiro falou, seu destino o levará para o norte. É a única pista que tem sobre o possível paradeiro de seu filho.
Até o momento os outros não sabem o que guia o bárbaro, mas talvez ainda não seja o momento de saberem. Talvez quando saírem daquelas cavernas? A ajuda deles seria bem vinda? Será que o ajudariam na busca por seu filho?
São questões que deixam Mâsh apreensivo, pois ainda não sabe a resposta para nenhuma delas. E estas respostas ficarão para outro momento, pois Northolt e os demais aproximam-se. O bárbaro percebe que os atracadouros e tudo que é de madeira já estão em chamas.
“Terminamos aqui pessoal..” – fala Northolt – “O fogo fará o trabalho de queimar tudo. Os orcs demorarão a usar esse local novamente. Vamos embora e voltar à nossa missão principal!”
“Que missão é essa, Nort?” – questiona Mâsh, único que ainda não sabe ao certo os motivos daquele grupo estar naquele local.
Gilkan adianta-se ao meio-elfo e responde:
“Mâsh, até agora não tivemos tempo de explicar os motivos que nos trouxeram até aqui. Esse ainda não é o momento, pois podemos ser surpreendidos por orcs, goblins e sabe-se mais o quê nessas cavernas. Por agora, basta saber que estamos em uma missão ‘Real’ e devemos chegar à Brindol. Não devemos nos desviar mais! Daqui devemos ir direto. Mas na primeira oportunidade, lhe passarei a missão que temos com mais detalhe, pois, quem sabe, poderá nos acompanhar! Mas agora vamos partir como disse Northolt! Vou buscar o goblin!”
O bárbaro entendeu que aquele não era o momento para mais perguntas e fica pensativo sobre o que o futuro lhe reserva.
Quando Gilkan retorna com o prisioneiro, Northolt avisa ao goblin:
“Goblin, assim que saírmos dessa caverna voce estara livre! Porém, levará um recado para Ullag, o seu general. Diga a ele, que "Northolt Anastrian Kurdak" o procura. E que quando achá-lo, ele pagará por todas as vidas que tirou nesta Guerra cruel.”
O goblin não responde nada, mas ele captou todas as palavras do senhor da guerra e um leve sorriso, quase imperceptível, brotou em sua fase monstruosa.
Assim, liderados por Northolt os heróis retornam pelos corredores agora vazios. Vasculham outros aposentos e corredores que haviam deixado para trás quando perseguiram os kobolds e descobrem dormitórios, cozinha, sala de armas, depósitos e outras câmaras vazias. Destroem tudo que podem, para tentar tornar o lugar inútil para os exércitos inimigos. E assim, após horas de exploração, saem daquele conjunto de cavernas, voltando para a trilha do Passo Amarelo.
O goblin então, fala para Gilkan.
“Eu não criei problemas, senhor! Pode me soltar como vocês me prometeram!”
O Tiefling, seguindo o seu coração como sempre orientado por seu tutor, Rasshak, começa a libertar o prisioneiro de suas amarras. Aproveita para falar num tom que somente o goblin possa ouvir:
“Não se esqueça do que eu disse! Irei atrás de sua alma nem que tenha que percorrer os 9 infernos, caso você alerte alguém de nosso paradeiro! Ajude a mudar a visão de sua raça assim como estou tentando fazer com a minha. Você está livre, seja sábio!”
Enquanto Gilkan ocupava-se com a libertação do goblin, Paella olha com cuidado para a estrada e arredores, atento a qualquer movimento. Caminha um pouco pela trilha, tentando identificar sinais de que tropas ou caravana tenham passado por ali no último dia (tempo em que ficaram explorando o posto avançado inimigo), mas sua busca não revelou nada demais.
O goblin esfrega os punhos e mexe os ombros em movimentos rotatórios, para fazer o sangue circular mais rapidamente após tanto tempo imobilizado e depois corre na direção sul. Direção oposta a que os heróis seguirão.
"Então meus amigos. Criatura libertada, vamos acelerar o passo para chegar ao nosso objetivo e entregar o artefato!” – exclama Paella e já abrindo espaço para que Northolt siga pela trilha na direção norte.
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