quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

KHAOS REPORT #014 (Interlúdio --> PBEM)

“Northolt, eu acho uma ótima idéia! Olhando para nosso grupo, temos 2 ótimos batedores!” – responde Gilkan.

Ele aponta então para o bárbaro:

“Mâsh, se for conosco, tem uma força incrível e uma resistência sobrenatural! Ele poderia correr a frente e voltar sem se cansar.” – depois, aponta para Paella. “Paella também é um ótimo batedor, com um conhecimento muito bom em estratégia de combate e com seu poder de teletransporte ajudaria se caso alguem o visse! Seria difícil persegui-lo.”

Ele faz uma pausa para que a sua idéia seja assimilada, e conclui:

“Northolt usa armadura pesada. Horven tem pernas curtas. Eu sou nada discreto com minhas vestes... Por mim poderia ir Paella. Mas temos que, primeiro, definir se estamos todos de acordo em seguirmos juntos para Brindol?”

Mâsh, olhando para fora da cavernas, lembrando dos tempos em que seu clã era forte e viajava pelas fronteiras de Iggspur, manifesta-se:

“As vezes eu era batedor da minha tribo. Tenho um pouco de habilidade nisso mas lembro sempre, tinha outros melhores!” – e fica em silêncio, contemplando uma imagem que passa em sua mente. “Mas, se ninguém é melhor, posso ir. Talvez a gente – e olha para Paella - na frente, se dê melhor, afinal dois enxergam melhor que um. E se aparecer problemas...” – dá como resposta o machado balançando ligeiramente.

Paella se ajeita mais próximo a fogueira, aquecendo um pedaço de carne no espeto, único ainda a beliscar alguns nacos de comida. Ao mesmo tempo fica refletindo sobre as sugestões de seus colegas. À sua mente vem lembranças do treinamento que realizou na floresta da lua. Ele olha para seu companheiros:

"Sim, meus amigos! Pela sabedoria e poderes de Corellon, podem contar comigo! Tenho habilidades suficientes para ser o batedor, trazendo informações privilegiadas."

Northolt, empolgado com a sinergia que parece surgir em seus companheiros, praticamente sela o plano:

“Perfeito meus amigos! Vocês são dois excelentes combatentes e têm ótima sinergia juntos. E mesmo para um batedor experiente, andar afastado do grupo, sozinho, na situação que estamos hoje, é muito arriscado.”

Mâsh faz uma observação:

“Vi que o caminho vai ser por planícies e colinas. Os batedores vão ficá bem na frente dos outros. Talvez nem seja visto! A gente qué dividi o grupo assim?”

O senhor da guerra responde ao seu companheiro:

“Mâsh, sua preocupação é muito válida. Porém, o papel do batedor é ir na frente, E RETORNAR dentro de certos períodos de tempo para avisar o "grupo base" se o caminho está livre ou não!! Com isso, será mais difícil um ataque pela retaguarda ou pelos nossos flancos, pois o batedor já fez a varredura do local que iremos passar. Caso o grupo base seja mesmo atacado como você prevê, teremos um sinal de aviso, dois silvos ja bastam para avisar sobre um ataque iminente.”

O bárbaro fica com um olhar significativo de que sabe o que um batedor deve fazer e como fazer! Mas decide não discutir sobre aquilo e apenas concorda: “Tâmo acertado! Eu e Paella seguimos na frente.”

Encerrado esse assunto, o Eladrin aproveita o momento de calmaria em que podem conversar tranquilamente para conhecer um pouco mais sobre seus novos amigos e também tentar obter informações que lhe sejam importantes:

"HUAAAA que sono – Paella se espreguiça sobre a cama improvisada que fez - Alguém de vocês já ouviu falar em Xanaro'th, Morgoth... ou em Loraxxsa?" – questiona ao grupo, olhando atentamente para cada um deles, esperançoso de obter uma resposta positiva.

“Sim, Paella! Quanto a Morgoth ou Xanaro´th, nunca ouvi falar. Mas Loraxxsa, já ouvi falar sim. Porque sua curiosidade?” – reconvém Northolt, começando a ter mais forte na memória as lembranças sobre Loraxxsa.

“Curiosidade minha! Ouvi esses nomes serem pronunciados meses atrás, mas não sei muito sobre eles. Pode nos falar um pouco mais sobre esse tal de Loraxxsa” – fica curioso o Eladrin.

“ELE não, meu amigo, ELA! Loraxxsa, pelo que me lembro, é matriarca de uma das casas de Menzoberranzan, principal cidade dos Drows. Dizem os elfos, que é uma poderosa arcana e que sua crueldade e vilania é extrema! Se você está marcado por Loraxxsa, acredite, sua morte não será rápida e indolor! É o que dizem!” – Northolt inclina o corpo para a frente e a luz tremulante da fogueira lhe dá feições demoníacas. “Você não tem problemas com ela, tem Paella?”

Paella joga uns pedaços de lenha na fogueira para manter a chama acesa e responde ao colega.

“Há alguns meses atrás eu participei de uma busca. Invasores haviam atacado a Cidade Brilhante, lar dos Eladrins na Floresta da Lua. A busca empreendida pelos Lâminas Prateadas era para identificar quem eram esses invasores e assim determinarmos qual a medida a ser tomada a seguir.” - nesse momento Paella respira profundamente e fica triste com a lembrança de centenas de eladrins mortos e conta todos os detalhes daquele episódio.

Northolt e os demais dizem sentir muito pelas perdas do amigo. Mas Paella, afastando a tristeza, concentra-se no presente e no futuro.

“E então, Northolt, além de Loraxxsa, você sabe algo sobre os outros?”

Com a negativa do meio-elfo, Gilkan viu a sua oportunidade de falar sobre o que sabia.

“Eu ouvi certa vez sobre o Xanaro´th. Não é muita coisa mas talvez o ajude no futuro, Paella. Trata-se de um beholder que habitava as Cordilheiras do Trovão, ao norte de Zanthar, a cidade fortaleza. Mas anos atrás o covil dele foi invadido e não se ouviu mais falar dele. As histórias dizem que comandava um pequeno exército de Orcs, Ogros e goblins. Mas como eu disse, após aquele ataque não se soube mais dele, pelo menos nos últimos 5 anos! Isso foi tudo que escutei sobre ele.”

O anão, que até o momento estava apenas ouvindo, manifesta-se pela primeira vez:

“Morgoth é conhecido de meu clã!” – ele fixa o olhar nas chamas crepitantes, avivadas pelo Eladrin. “Ele é um Illithid, ou na língua dos humanos, Devorador de Mentes. Por várias vezes os anões de Khaza-dûm repeliram os ataques de Morgoth e seus asseclas. Antes de eu partir, rumores corriam os salões do meu clã dando conta de que ele havia se tornado aliado dos elfos-negros! Nossos anciões acreditavam que essa aliança tornaria os ataques de Morgoth mais intensos... mas não foi bem o que ocorreu!” – o anão fica observando as chamas em silêncio.

Paella, interessado, após alguns instantes, pigarreia e tenta demonstrar ao anão que falta completar o pensamento. Horven, calmamente, satisfeito com o suspense criado, continua:

“Os anões reforçaram suas defesas nas rotas comerciais e nos pontos em que Morgoth costumava atacar. Os dias passaram. Esses se transformaram em meses e depois em anos. Mas nenhum ataque foi feito. A calmaria daqueles dias era perturbadora. Era como se o tempo tivesse parado e aguardasse um fenômeno ou algo sobrenatural acontecer. Dois anos. Três anos. E não se tinha mais notícias de Morgoth! Então a Guerra teve início. E assim, após quase dez anos sem notícias do paradeiro de Morgoth, nosso clã novamente ouve falar nele! E você, Paella, é o bom vento que traz a notícia de que ele ainda vive e de que é um perigo para todos os povos livres! O Conselho do Martelo ficará feliz em saber que nosso inimigo pode ser derrotado, definitivamente!”

A informação era importante para o Eladrin, mas naquele momento não conseguia vislumbrar como poderia ser utilizada. Mas guardá-la, com certeza, era o melhor a fazer.
Com o avanço da noite, já próximo à meia-noite, os heróis decidem que era hora de descansar. E os turnos de vigília começaram com Horven, sendo que os demais dormiam ou descansavam da melhor forma possível.
O turno de Horven terminou e foi substituído por Mâsh. Este, no meio da madrugada, trocou a vez com Paella.
O Eladrin observava a lua, que aparecia furtiva por entre as nuvens densas que corriam rápido para o norte, impulsionadas por um vento frio que trazia o inverno. Mais alguns dias, e a neve chegaria. Paella esperava conseguir voltar para a Floresta da Lua antes que as estradas ficassem cobertas pela neve e as viagens fossem interrompidas pelas nevascas.

“Vejo que vocês também estão cansados da viagem e escolheram um bom lugar para descansar.” – uma voz falou vinda da escuridão e assustou definitivamente o Eladrin.

Da posição em que o Eladrin estava, não era possível que alguém viesse pelo tortuoso caminho escavado nas paredes da montanha, sem que ele percebesse. Além disso, a voz veio de uma posição à leste de onde estava, ou seja, teria que cruzar o acampamento improvisado e teria passado pela luz da fogueira. Estreitou os olhos na direção de onde veio a voz, já com a mão no punho da espada.
Das sombras erigidas por duas grandes rochas na íngreme encosta, surge um humano com vestes coloridas e, de certa forma, refinadas, mesmo que visivelmente sendo trajes de viagens. Ele carrega um bandolim preso às costas. Solta uma mochila no chão e também um tudo de couro com bordas de filetes de madeira, que serve como um porta-mapas ou documentos. Saindo da escuridão, Paella vê que o homem tem cerca dos 37 anos, barba negra bem fechada, maxilar quadrado, olhos gentis e ferinos ao mesmo tempo, com cabelos compridos amarrados atrás da cabeça, que ostenta um chapéu de abas curtas meio torto, com uma pena púrpura em um dos lados.

“Não se preocupe jovem Eladrin, não vim causar problemas aos viajantes que aqui estão” – ele fala em voz suave, como se não quisesse acordar os demais – “gostaria apenas dividir o calor do fogo e quem sabe da companhia de seres civilizados nesta vastidão devastada pela Guerra.” – o homem conclui em tom de indagação e demonstrando, com gestos, que não pretende brigar.

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