O meio-elfo respira aliviado após terem superado o problema
inesperado que Mâsh trouxe ao grupo. Mas agora era preciso enfrentar o problema
principal: como comunicar a concordância feita ao pedido de Balin, sem o
conhecimento dos demais.
O Goliath, empolgados pelo apoio de seus amigos, dispara:
“Então vamo logo! Passamo pelo portal, encontramo o rei e
podemo salvá meu filho!”
Northolt se mexe desconfortável na cadeira e pigarreia para
sua voz não soe insegura:
“Bem... er... temos um outro problema pessoal...” – mas sua
voz não foi tão firme quanto esperava e sentiu os olhos de seus amigos
fuzilá-lo intrigados.
“Que problema, North?” – pergunta Gilkan. “Terminamos nossa
missão. Recebemos nossa recompensa e temos um portal mágico à disposição para
nos deixar diretamente no castelo do Rei Ilíadas. Isso nos poupará uma viagem
que duraria, no mínimo, duas dezenas de dias. Onde está o problema?” –
complementa o Tiefling, esperando que não fosse muito grave.
O sargento de Furiondy levanta-se e procura em sua mente a
melhor forma de contrar aquilo que precisa. A demora cria um clima tenso no
salão. O anão, sempre impetuoso e sem muita delicadeza fala:
“Desembucha logo, meio-orelhudo! O que que tá engasgado aí?”
Northolt não tem mais como impedir a notícia e decide que a
melhor forma de comunicar é sendo direto e franco com seus amigos. Respira
fundo e explica:
“Bem, o senhor Balin veio conversar comigo, ontem, durante a
festa. Ele precisa de um grupo de bravos e intrépidos aventureiros para ajudar
seu irmão, o Barão Stockmer, em Queda Escarpada. Ele ofereceu um bom pagamento
para cada membro do grupo.” – ele faz uma pausa enquanto se move ao redor da
mesa. “Sabendo de nossa vontade e necessidade de retornarmos à companhia de
nossos familiares e amigos, recusei a proposta educadamente. Afinal, não
poderia aceitar sem conversar com vocês antes. Mas Balin expôs a urgência e a
necessidade de nossa contratação. Inclusive, que nós somos a última esperança
dos moradores de Queda Escarpada neste momento tão difícil. Devido às
escaramuças que os remanescentes da Horda fazem na região, muitos mercenários e
milicianos morreram ou ainda estão envolvidos na expulsão dos guerrilheiros do
território de Korzus.” – ele faz mais uma pausa e, com ambas as mãos, apoia-se
na mesa, encarando seus amigos. “Não havia tempo para conversarmos! Ele
precisava de uma resposta ali, naquele momento. Aceitei, meus amigos.
Desculpem-me se agi mal, mas não pude negar o pedido.”
Um silêncio retumbante estabeleceu-se sobre o salão. Trocas
de olhares e expressões correm entre os companheiros. Apesar de aliviado por
ter compartilhado aquela estória, Northolt encolhe-se como uma criança à espera
de uma palmada de seu pai. Ele não espera uma compreensão rápida por seus
amigos, mas pensa poder convencê-los após o baque inicial.
Paella é o porta-voz dos demais:
“Bem, Nort, acredito que falo por todos neste momento.” –
todos concordam com leves acenos de cabeça ou gestos afirmativos com as mãos. O
Eladrin continua. “Seu coração é bom e sua sabedoria consegue equilibrar suas
ações, entre o emocional e o racional. Se você aceitou a proposta em nosso
nome, ainda que não tenha nos consultado com antecedência, acreditamos que o
fez por conhecer nossas personalidades, nossos desejos e nossos corações. Sabia
que, ainda que relutantes no início, acabaríamos por aceitar o contrato. Assim
como você, não teríamos nossa consciência tranquila sabendo do sofrimento
daquele povo. Além do mais, seu temor em nos desapontar demonstra a
consideração que tem por nós. E, por isso, sabemos que foi uma decisão muito
difícil a tomar. Portanto, não se preocupe meu amigo, nós aceitamos a oferta do
senhor Balin.”
Northolt sente um alívio indescritível, e com um fio de voz
apenas fala:
"Obrigado!"

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