quarta-feira, 1 de agosto de 2012

KHAOS REPORT #035

A notícia pegou de surpresa o experiente líder do grupo. Os últimos dias foram de tanta intensidade que não tiveram tempo adequado para conversar e pensar. Mas essa determinação do bárbaro o fez cair na real. Mâsh, Kracius e Goulash não fazem parte do grupo que iniciou a missão dada por Ilíadas. Realmente, não teriam motivos para retornarem à Iggspur.
“Tudo bem Mâsh. Você realmente não tem motivos para seguir para Iggspur conosco, afinal, seu destino, pelo que me lembro, é nas terras ao norte da fronteira.” – Northolt senta-se à mesa.
Gilkan e Paella surpreendem-se com a concordância dada pelo meio-elfo. Mas antes que possam intervir, Northolt continua:
“Mas você conseguirá cumprir sua missão sozinho? Conseguirá vencer os orcs sozinho? Você é o último de sua tribo e não sabe se seu filho está vivo.” – Northolt sabe que foi um pouco longe ao fazer essa última afirmação, reforçado pela expressão severa que se formou no rosto do bárbaro. “Não acredito, no entanto, que os orcs tenham feito mal a sua criança. Provavelmente o mantenham vivo até que cresça o suficiente para trabalhar nas minas. E acredito, sim, que você deve ir atrás dele para libertá-lo. E também acredito que você obterá mais sucesso se contar com nossa ajuda. E até mesmo, com a ajuda do Rei de Iggspur!”
Um silêncio tenso se forma na sala. Só os baixos sons vindos da porta da cozinha próxima ecoam pelas paredes. E o meio-elfo complementa.
“Venha conosco para Iggspur e nós o ajudaremos em sua busca... meu amigo!”
Mâsh se mexe desconfortável na cadeira. Seu sangue queima por vingança e não vê a hora de partir para Cirith Hill em busca de seu filho. Mas sabe que seu companheiro tem razão em muito do que disse. Ele precisará de toda a ajuda possível para salvar seu filho.

“Prometam que voltarão comigo para salvar meu filho!” – retruca o bárbaro.
Gilkan é o primeiro a reagir.

“Peraí! Você não pode decidir por nós Northolt. Cada um de nós tem outras preocupações a serem resolvidas quando retornarmos à Iggspur. Eu tenho que ir à Zanthar, na fronteira leste. Lá é meu lugar e agora com meus poderes, ajudarei os Dragões Prateados na defesa do Reinado. Sinto pelo bárbaro e espero que ele liberte seu filho. Mas eu tenho minha família pra proteger!”
“Eu também tenho que retornar à minha cidade!” – fala Paella aproximando-se da mesa. “Quando parti, os exércitos inimigos haviam acabado de nos atacar. Minha família também corre perigo e não posso mais ficar longe.”
Northolt, calmamente, responde aos seus colegas.
“Eu também tenho família, meus amigos! E penso neles em cada minuto. Penso se estão bem, se estão precisando de alguma coisa. Se estarão a salvo no inverno que se aproxima. Mas me conforto quando penso que nossas ações aqui, em Korzus, refletirão na segurança delas. A cada inimigo que derrotamos aqui. A cada ação que fazemos contra a Horda em nossas aventuras, nós mantemos as forças inimigas longe de nossas famílias. Nós minamos suas forças. Nós os fazemos olharem para trás com medo. Freamos seu avanço. Pois,  sabem que não podem deixar o flanco desguarnecido, senão nós atacaremos seu coração. E, além disso, nós temos nossas famílias em suas cidades. Em nossas casas. O Mâsh não tem essa segurança. Seu único filho, está nas mãos do inimigo. Não consigo imaginar o sofrimento pelo qual você passa, meu amigo, por isso eu prometo que o ajudarei em sua busca!”

Mâsh acena levemente com a cabeça para Northolt e depois olha para os demais esperando suas respostas. Seu olhar, pela primeira vez, transmite uma súplica silenciosa e um sofrimento que estava escondido sob sua férrea vontade e determinação.

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