A notícia pegou de surpresa o experiente líder do grupo. Os
últimos dias foram de tanta intensidade que não tiveram tempo adequado para
conversar e pensar. Mas essa determinação do bárbaro o fez cair na real. Mâsh,
Kracius e Goulash não fazem parte do grupo que iniciou a missão dada por
Ilíadas. Realmente, não teriam motivos para retornarem à Iggspur.
“Tudo bem Mâsh. Você realmente não tem motivos para seguir
para Iggspur conosco, afinal, seu destino, pelo que me lembro, é nas terras ao
norte da fronteira.” – Northolt senta-se à mesa.
Gilkan e Paella surpreendem-se com a concordância dada pelo
meio-elfo. Mas antes que possam intervir, Northolt continua:
“Mas você conseguirá cumprir sua missão sozinho? Conseguirá
vencer os orcs sozinho? Você é o último de sua tribo e não sabe se seu filho
está vivo.” – Northolt sabe que foi um pouco longe ao fazer essa última
afirmação, reforçado pela expressão severa que se formou no rosto do bárbaro. “Não
acredito, no entanto, que os orcs tenham feito mal a sua criança. Provavelmente
o mantenham vivo até que cresça o suficiente para trabalhar nas minas. E
acredito, sim, que você deve ir atrás dele para libertá-lo. E também acredito
que você obterá mais sucesso se contar com nossa ajuda. E até mesmo, com a
ajuda do Rei de Iggspur!”
Um silêncio tenso se forma na sala. Só os baixos sons vindos
da porta da cozinha próxima ecoam pelas paredes. E o meio-elfo complementa.
“Venha conosco para Iggspur e nós o ajudaremos em sua
busca... meu amigo!”
Mâsh se mexe desconfortável na cadeira. Seu sangue queima
por vingança e não vê a hora de partir para Cirith Hill em busca de seu filho.
Mas sabe que seu companheiro tem razão em muito do que disse. Ele precisará de
toda a ajuda possível para salvar seu filho.
“Prometam que voltarão comigo para salvar meu filho!” – retruca
o bárbaro.
Gilkan é o primeiro a reagir.
“Peraí! Você não pode decidir por nós Northolt. Cada um de
nós tem outras preocupações a serem resolvidas quando retornarmos à Iggspur. Eu
tenho que ir à Zanthar, na fronteira leste. Lá é meu lugar e agora com meus
poderes, ajudarei os Dragões Prateados na defesa do Reinado. Sinto pelo bárbaro
e espero que ele liberte seu filho. Mas eu tenho minha família pra proteger!”
“Eu também tenho que retornar à minha cidade!” – fala Paella
aproximando-se da mesa. “Quando parti, os exércitos inimigos haviam acabado de
nos atacar. Minha família também corre perigo e não posso mais ficar longe.”
Northolt, calmamente, responde aos seus colegas.
“Eu também tenho família, meus amigos! E penso neles em cada
minuto. Penso se estão bem, se estão precisando de alguma coisa. Se estarão a
salvo no inverno que se aproxima. Mas me conforto quando penso que nossas ações
aqui, em Korzus, refletirão na segurança delas. A cada inimigo que derrotamos
aqui. A cada ação que fazemos contra a Horda em nossas aventuras, nós mantemos
as forças inimigas longe de nossas famílias. Nós minamos suas forças. Nós os
fazemos olharem para trás com medo. Freamos seu avanço. Pois, sabem que não podem deixar o flanco
desguarnecido, senão nós atacaremos seu coração. E, além disso, nós temos
nossas famílias em suas cidades. Em nossas casas. O Mâsh não tem essa
segurança. Seu único filho, está nas mãos do inimigo. Não consigo imaginar o
sofrimento pelo qual você passa, meu amigo, por isso eu prometo que o ajudarei
em sua busca!”
Mâsh acena levemente com a cabeça para Northolt
e depois olha para os demais esperando suas respostas. Seu olhar, pela primeira
vez, transmite uma súplica silenciosa e um sofrimento que estava escondido sob
sua férrea vontade e determinação.

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